Os judeus da Judeia se reorganizaram criando duas grandes identidades culturais e geográficas na Europa. Eles também adaptaram sua religião para sobreviver sem um templo central.
Abaixo
está a divisão de como esses grupos se formaram e como o judaísmo se
transformou.
A
Origem das Identidades Culturais
Os
fluxos migratórios após o ano 135 d. e. C. dividiram o povo judeu em duas
ramificações principais no continente europeu:
• Sefarditas (Península Ibérica): Judeus
que migraram para as regiões que hoje correspondem a Espanha e Portugal. O
termo vem de Sefarad, palavra hebraica para designar a Península Ibérica. Eles
desenvolveram uma cultura muito influenciada pelo mundo greco-romano e, séculos
mais tarde, pela civilização islâmica. Falavam o ladino (uma mistura de
espanhol antigo com hebraico).
• Ashkenazitas (Europa Central e
Oriental): Judeus que se deslocaram inicialmente para a Península Itálica e
depois subiram em direção ao Vale do Rio Reno (fronteira entre Alemanha e
França). O termo vem de Ashkenaz, termo hebraico associado à Alemanha. Mais
tarde, devido a perseguições, migraram em massa para a Polônia, Rússia e
Ucrânia. Falavam o iídiche (mistura de alemão medieval com hebraico).
Transição
para o Judaísmo Rabínico
A
perda definitiva de Jerusalém forçou uma revolução espiritual e estrutural,
liderada por sábios como Yochanan ben Zakai. Sem o Templo físico e sem a
possibilidade de fazer sacrifícios de animais, o judaísmo passou por adaptações:
• O
sacrifício de animais foi substituído por orações diárias (Tefilá) e por atos
caridade.
• Do Templo para a Sinagoga: A Sinagoga
(casa de assembleia) passou de um simples local de reuniões para o centro
espiritual de cada comunidade. Qualquer lugar do mundo poderia ser um espaço
sagrado, desde que houvesse uma comunidade reunida.
• Dos Sacerdotes para os Rabinos: Os
Kohanim (sacerdotes que cuidavam do Templo) perderam a função prática. A
liderança passou para os Rabinos, que eram professores, juristas e estudiosos
da Torá.
• Do Altar para o Livro: A fixação da Torá
tornou-se vital para manter o povo unificado na Diáspora. Os rabinos compilaram
a Mishna (cerca de 200 d.C.) e os Talmudes (Jerusalém e Babilônia, entre os
séculos IV e VI), criando um código de leis que os judeus podiam carregar para qualquer
país, um claro desvio da Torá, que mistura ás leis de D’us com misticismo e
práticas de outras religiões.
Rav Máximo Lins

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